| ||||||
Há alguns anos atrás as crianças passaram a chamar as professoras de tia. Houve quem considerasse isso uma distorção da profissão, uma forma de reduzir professoras à condição de "tia". Hoje as crianças pedem "Tia, posso te chamar de mãe?". E isso ilustra bem a carência afetiva dessas nossas crianças...
Mostrando postagens com marcador Alfabetização. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alfabetização. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 20 de maio de 2011
A VOVÓ NA JANELA
domingo, 3 de abril de 2011
SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA ALUNOS EM TODOS OS NÍVEIS DE ALFABETIZAÇÃO
Avanços:
• Diferenciar o desenho da escrita;
• Perceber letras e sons;
• Identificar e escrever o próprio nome completo;
• Perceber que usamos letras diferentes em diferentes posições.
Atividades favoráveis:
• Desenhar e escrever o que desenhou;
• Usar o nome em situações significativas: marcar atividades. Objetos, utilizá-los em jogos, bilhetes, etc.
• Ouvir leitura diariamente pela professora e poder recontá-la;
• Ter contato com diferentes portadores de texto;
• Reconhecer e ler o nome próprio em situações significativas: chamadas, jogos, etc.
• Conversar sobre a função da escrita;
• Utilizar letras móveis para pesquisar nomes, reproduzir o próprio nome ou dos amigos; bingo de letras;
• Produção oral de histórias;
• Escrita espontânea;
• Textos coletivos tendo o professor como escriba;
• Aumentar o repertório de letras;
• Ler nomes das crianças da turma, quando isto for significativo;
• Comparar e relacionar palavras;
• Produzir textos de forma não convencional;
• Identificar personagens conhecidos a partir de seus nomes, ou escrever seus nomes de acordo com sua possibilidade;
• Recitar textos memorizados: parlendas, quadrinhas, poemas, músicas;
• Atividades que seja preciso reconhecer a letra inicial e final;
• Atividades que apontem para a variação da quantidade de letras;
• Completar palavras usando a letra inicial e final;
• Escrever listas em que isto tenha significado: listar o que usamos na hora do lanche, o que tem na festa de aniversário, etc.
HIPÓTESE SILÁBICA
Avanços:
• Atribuir valor sonoro às letras;
• Aceitar que não é preciso muitas letras para se escrever apenas o necessário para representar a fala.
• Perceber que palavras diferentes são escritas com letras em ordens diferentes.
Atividades favoráveis:
• Todas as atividades do nível anterior,
• Comparar e relacionar escritas de palavras diversas;
• Escrever pequenos textos memorizados ( parlendas, quadrinhas, músicas, trava-língua...)
• Completar palavras com letras para evidenciar seu som:
CAMELO = C____M____L____ ou ____A____E____O
• Relacionar personagens a partir do nome escrito;
• Forca;
• Relacionar figura às palavras, através do reconhecimento da letra inicial.
• Ter contato com a escrita convencional em atividades significativas;
• Reconhecer letras em um pequeno texto conhecido;
• Leitura de textos conhecidos e já trabalhados;
• Cruzadinhas;
• Caça-palavras;
• Completar lacunas em texto e palavra;
• Construir um dicionário ilustrado, desde que o tema seja significativo;
• Evidenciar rimas entre as palavras;
• Usar o alfabeto móvel para escritas significativas;
• Jogos variados para associar o desenho e seu nome;
• Contar a quantidade de palavras de uma frase.
HIPÓTESE SILÁBICO-ALFABÉTICA
Avanços:
• Usar mais de uma letra para representar o fonema quando necessário.
• Atribuir o valor sonoro das letras;
Atividades favoráveis:
• As mesmas do nível anterior;
• Separar as palavras de um texto;
• Generalizar os conhecimentos para escrever palavras que não conhece: Associar o “GA” do nome da “GABRIELA” para escrever “GAROTA”, “GAVETA”...;
• Ditado de palavras conhecidas;
• Ditado de grade;
• Forca;
• Produzir pequenos textos;
• Reescrever histórias;
• Pesquisar os usos da ordem alfabética em nossa sociedade;
• Discutir em atividades coletivas a importância do uso da ordem alfabética como recurso organizador em vários instrumentos sociais, como catálogo telefônico, lista de alunos; fichário; arquivo, dicionário, etc;
• Procurar desenvolver o próprio pensamento das crianças para que percebam o que é provável e o que é impossível encontrar na linguagem escrita;
• Pesquisar palavras que têm ou não acento, dentro de um pequeno texto. É fundamental que o professor trabalhe por investigação. Toda descoberta vai sendo discutida e registrada. Não se deve dar a “receitas” prontas ao aluno;
• Pesquisar quais maneiras possíveis de terminar palavras.
• Generalizar os conhecimentos para escrever palavras que não conhece.
• Pesquisar as letras de imprensa minúsculas, apenas e tão somente, para a leitura. As crianças jamais irão utilizá-las para registras seus textos, apenas para serem capazes de ler, sem dificuldade. Pedir aos alunos para recortar de revistas e organizar as letras, fazendo correspondência termo a termo entre os dois tipos de letras: maiúsculas, minúsculas. Pode apresentar listas em imprensa minúscula. Pode proceder da mesma forma, pedindo para transcrever frases até pequenos textos. É uma apropriação lenta e gradual, que pode transcorrer com calma durante todo o estágio silábico-alfabético.
• Cruzadinhas utilizando fotografias;
• Formação de frases;
• Pesquisa sobre o significado de nome das crianças, seguindo a ordem alfabética;
• Escrever uma lista de nomes e discutir como colocá-los em ordem alfabética.
• Fazer acrósticos, trabalhando coletivamente, tendo o professor como escriba, fazendo o registro no quadro;
• Fazer caça-palavras, imprimindo maior grau de dificuldade a essa atividade, como: na vertical, na diagonal, em ordem inversa, etc.
HIPÓTESE ALFABÉTICO
Avanços:
• Preocupação com as questões ortográficas e textuais (parágrafo e pontuação).
• Usar a letra cursiva.
Atividades favoráveis:
• Todas as anteriores;
• Leituras diversas;
• Escrita de listas de palavras que apresentem as mesmas regularidades ortográficas em momentos em que isto seja significativo;
• Atividades a partir de um texto: leitura, localização de palavras ou frases; ordenar o texto;
• Jogos diversos como bingo de letras e palavras; forca...
- ALFABETIZAÇÃO COM SUCESSO
Luzia Bontempo
- ALFABETIZAÇÃO LÚDICA – CAIXA DE FERRAMENTAS
Gláucia Perreira / Tathiana Campos / Vera Lima
domingo, 27 de março de 2011
A Criança de 6 ANOS no Ensino Fundamental
Estou lendo o livro A CRIANÇA DE 6 ANOS NO ENSINO FUNDAMENTAL, de Andrea Rapoport, Dirléia Fanfa Sarmento, Marta Nörnberg e Suzana Moreira Pacheco (Orgs.) , que custa em média R$ 34,00 e onde os autores ressaltam a importância de se reorganizar o ensino fundamental de nove anos, garantindo às crianças de seis anos tempos e espaços lúdicos adequados a essa faixa etária. Dentro dessa concepção, apresentam teorias e práticas educativas em alfabetização e em várias áreas do conhecimento, ressaltando a importância das brincadeiras, do afeto e da criação de um ambiente rico de exploração nessa etapa de escolarização. Destaca-se um tema raro na literatura que trata da importância do acompanhamento às crianças na fase de adaptação.
É um livro muito interessante, ainda mais para mim que estou lecionando exatamente para essas crianças do 1º ano do Ensino Fundamental! Mas, como sempre, é fato que discordei de algumas coisas apresentadas... O livro foi indicado pelo MEC, faz parte do PNBE - Programa Nacional Biblioteca da Escola - , trazendo consigo muitas ideias de uma proposta de educação onde o processo de alfabetização dura 3 anos!
É dito que não temos a obrigação de alfabetizar nossos alunos no 1º ano, que eles terão até o 3º ano para estarem alfabetizados, o que, como sempre, é lindo na teoria mas que na prática é um absurdo... Será que os filhos dessas pessoas (autores desse livro ou integrantes do MEC) levaram 3 anos para serem alfabetizados? Aposto o que vocês quiserem que NÃO! - Existe uma grande demanda de ansiedade quando a criança ingressa no 1º ano, antiga Classe de Alfabetização, os pais, a família (que transmite essa ansiedade para a criança), a sociedade como um todo quer que essa criança chegue ao final do ano lendo e escrevendo, mesmo que não seja ortograficamente! E a autoestima do professor-alfabetizador, que chegará ao final do ano letivo sem que seus alunos tenham sido alfabetizados? E as piadinhas que esse professor terá de escutar do colega que no ano seguinte receber uma turma de 2º ano que ainda não sabe ler?
É absurdo e contraditório que o processo de alfabetização deva ter duração de 3 anos, porquanto no 1º capítulo desse livro sejam dadas várias explicações de como as crianças de 6 anos aprendem, de acordo com Piaget, Freud e Erik Erikson... Uma criança de 6 anos saudável tem plenas capacidades motoras e cognitivas para aprender a ler e a escrever! Então por que prolongar o processo? Por que esticar para 3 anos a alfabetização? São apenas 27 letras/fonemas em nosso alfabeto, será que os 200 dias letivos não são suficientes para aprendê-las?
Será por isso que, embora os livros do 1º sejam consumíveis, os livros que recebemos para auxiliar na alfabetização dos alunos sejam tão diferentes das antigas cartilhas de alfabetização? Fala-se tão mal do ensino tradicional, da alfabetização através de cartilhas, da falta de contexto destas e tudo mais, mas esquecem-se de que era através delas que todos eram alfabetizados há anos atrás, numa época em que as crianças realmente tinham de sair lendo e escrevendo das Classes de Alfabetização (CA)... Outro dia vi um aluninho de escola particular, aos 5 anos lendo várias palavrinhas simples (bolo, bola, boneca, cavalo...), eu achei bonitinho e fui conversar com ele, então ele me mostrou, com muito orgulho, sua cartilha, extramamente tradicional, mas que estava funcionando perfeitamente, porquanto eu já tenha visto alunos do 3º ano da escola pública que não lêem nem essas palavrinhas simples...
O método que se quer implantar atualmente é o analítico, ou da palavração, mas esse método exige que o aluno tenha ótima memória visual, para assimilar palavras inteiras! Os alunos com dislexia precisam que as letras e seus fonemas não sejam tão abstratos, aprendem melhor com uma metodologia há anos abandonada pelo ensino público, que é o método fonético (Abelhinha, Casinha Feliz), onde cada letra tem seu som e que são apresentadas através de divertidas historinhas com personagens fáceis de lembrar!
Veja como é apresentado o alfabeto no método fônico da Abelhinha:
Agora veja o alfabeto da Casinha Feliz:
Eu lembro da professora da minha irmã, que usou essa cartilha, ensinando aquela regra-decoreba que diz que "antes de P e B só se usa M", ela só explicou uma única vez que o Papai (letra P) e o Bebê (B) só andam com a Mamãe (letra M), minha irmã nunca mais esqueceu!
“A Casinha Feliz” é mais do que uma cartilha. É um conto infantil que mostra a vida de uma família e se desenvolve através de teatro, jogos e brincadeiras. Por isso, a sala de alfabetização se transforma num espaço interativo de aprendizagem, sonho de todo educador. As crianças se envolvem na experiência fascinante da leitura e da escrita e os resultados são alcançados com rapidez e eficácia. O método proposto pela “Casinha Feliz”, gestado ao longo de muito estudo e observação do comportamento infantil é, na sua essência, lúdico", diz Leda Fraguito Esteves de Freitas.
E para os que vierem a me criticar como tradicionalista, ou qualquer coisa assim, afirmo, porém, que nos Estados Unidos só se alfabetiza através do método fônico e que nas escolas bilingues caríssimas do Rio de Janeiro também...
É um livro muito interessante, ainda mais para mim que estou lecionando exatamente para essas crianças do 1º ano do Ensino Fundamental! Mas, como sempre, é fato que discordei de algumas coisas apresentadas... O livro foi indicado pelo MEC, faz parte do PNBE - Programa Nacional Biblioteca da Escola - , trazendo consigo muitas ideias de uma proposta de educação onde o processo de alfabetização dura 3 anos!
É dito que não temos a obrigação de alfabetizar nossos alunos no 1º ano, que eles terão até o 3º ano para estarem alfabetizados, o que, como sempre, é lindo na teoria mas que na prática é um absurdo... Será que os filhos dessas pessoas (autores desse livro ou integrantes do MEC) levaram 3 anos para serem alfabetizados? Aposto o que vocês quiserem que NÃO! - Existe uma grande demanda de ansiedade quando a criança ingressa no 1º ano, antiga Classe de Alfabetização, os pais, a família (que transmite essa ansiedade para a criança), a sociedade como um todo quer que essa criança chegue ao final do ano lendo e escrevendo, mesmo que não seja ortograficamente! E a autoestima do professor-alfabetizador, que chegará ao final do ano letivo sem que seus alunos tenham sido alfabetizados? E as piadinhas que esse professor terá de escutar do colega que no ano seguinte receber uma turma de 2º ano que ainda não sabe ler?
É absurdo e contraditório que o processo de alfabetização deva ter duração de 3 anos, porquanto no 1º capítulo desse livro sejam dadas várias explicações de como as crianças de 6 anos aprendem, de acordo com Piaget, Freud e Erik Erikson... Uma criança de 6 anos saudável tem plenas capacidades motoras e cognitivas para aprender a ler e a escrever! Então por que prolongar o processo? Por que esticar para 3 anos a alfabetização? São apenas 27 letras/fonemas em nosso alfabeto, será que os 200 dias letivos não são suficientes para aprendê-las?
Será por isso que, embora os livros do 1º sejam consumíveis, os livros que recebemos para auxiliar na alfabetização dos alunos sejam tão diferentes das antigas cartilhas de alfabetização? Fala-se tão mal do ensino tradicional, da alfabetização através de cartilhas, da falta de contexto destas e tudo mais, mas esquecem-se de que era através delas que todos eram alfabetizados há anos atrás, numa época em que as crianças realmente tinham de sair lendo e escrevendo das Classes de Alfabetização (CA)... Outro dia vi um aluninho de escola particular, aos 5 anos lendo várias palavrinhas simples (bolo, bola, boneca, cavalo...), eu achei bonitinho e fui conversar com ele, então ele me mostrou, com muito orgulho, sua cartilha, extramamente tradicional, mas que estava funcionando perfeitamente, porquanto eu já tenha visto alunos do 3º ano da escola pública que não lêem nem essas palavrinhas simples...
O método que se quer implantar atualmente é o analítico, ou da palavração, mas esse método exige que o aluno tenha ótima memória visual, para assimilar palavras inteiras! Os alunos com dislexia precisam que as letras e seus fonemas não sejam tão abstratos, aprendem melhor com uma metodologia há anos abandonada pelo ensino público, que é o método fonético (Abelhinha, Casinha Feliz), onde cada letra tem seu som e que são apresentadas através de divertidas historinhas com personagens fáceis de lembrar!
Veja como é apresentado o alfabeto no método fônico da Abelhinha:
Eu lembro da professora da minha irmã, que usou essa cartilha, ensinando aquela regra-decoreba que diz que "antes de P e B só se usa M", ela só explicou uma única vez que o Papai (letra P) e o Bebê (B) só andam com a Mamãe (letra M), minha irmã nunca mais esqueceu!
“A Casinha Feliz” é mais do que uma cartilha. É um conto infantil que mostra a vida de uma família e se desenvolve através de teatro, jogos e brincadeiras. Por isso, a sala de alfabetização se transforma num espaço interativo de aprendizagem, sonho de todo educador. As crianças se envolvem na experiência fascinante da leitura e da escrita e os resultados são alcançados com rapidez e eficácia. O método proposto pela “Casinha Feliz”, gestado ao longo de muito estudo e observação do comportamento infantil é, na sua essência, lúdico", diz Leda Fraguito Esteves de Freitas.
E para os que vierem a me criticar como tradicionalista, ou qualquer coisa assim, afirmo, porém, que nos Estados Unidos só se alfabetiza através do método fônico e que nas escolas bilingues caríssimas do Rio de Janeiro também...
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Abandono Intelectual
De acordo com o Artigo 246 do Código Penal, abandono intelectual consiste em...
"Abandono intelectual - Negligência na educação de filho pelos pais ou de menor confiado à guarda de alguém, deixando de prover a ele a instrução primária, quando em idade escolar, ou permitindo que adquira hábitos perniciosos ou assista a espetáculos impróprios à sua idade. Segundo a lei penal, é crime."
Esse ano peguei duas turminhas de 1º ano, antiga C.A. (Classe de Alfabetização) e pasmem: recebi vários alunos que nunca tinha pisado antes em uma escola, crianças de 6 anos que não sabem nem ao menos segurar num lápis, que seguram os livros de cabeça pra baixo, que não identificam e nem nomeiam cores primárias, que não têm as noções de direita e esquerda, cima e baixo, frente e atrás...
A solução seria bem simples: trabalhar com esses alunos exatamente como se trabalharia com uma turma de Educação Infantil, trabalhando motricidade fina com massinha de modelar, bolinhas de papel crepom, segurando na mão de cada um para ensinar como pegar no lápis, ensinar as cores, as vogais, a escrita do primeiro nome com letra bastão, ensinar as noções de direita e esquerda etc. Mas, essa solução se mostrou inviável, porque as crianças que entraram para a escola na idade certa, que fizeram um ou dois anos de EI, não se interessam por esses ensinamentos, acabam fazendo muita bagunça e o clima em sala de aula fica TENSO! Se por um lado eu preciso dar atenção exclusiva e individual aos alunos que pela 1ª vez estão pisando numa sala de aula, eu também não posso deixar de realmente alfabetizar aqueles que já trouxeram na bagagem toda uma gama de conhecimentos e habilidades que os torna plenamente "alfabetizáveis"...
Em uma sala de aula com 30 alunos, onde metade cursou a EI e a outra metade pisa pela 1ª vez numa escola, não é de se admirar que a professora surte, pire, queira sair correndo...
Ah, e sabe aquela história de "não existe aprovação automática no município do Rio", tudo mentira, até outro dia se sabia que até o 3º ano do Fundamental a aprovação continuava sendo automática, mas como houve grande número de alunos retidos nessas turminhas de 3º ano, gerando prejuízos a receita do município, agora será até o 4º ano essa pouca vergonha! Não demora muito e voltaremos a ter todo Ensino Fundamental aprovando automaticamente alunos analfabetos... Solapando com os professores do Ensino Médio...
Aí eu pergunto a vocês: onde está o Art. 227." É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão"?
O Estado, de acordo com o art. 208 da CRFB/88, tem o dever de garantir o ensino fundamental (primeiro grau) obrigatório e gratuito. O dever do Estado é construir e prover vagas nas escolas, porém, com o grande número de alunos reprovados, as escolas ficam sem vagas para novos alunos, o que obrigaria o Estado a construir novas escolas, o que acaba saindo caro... Mas, não é mais caro ainda, em termos de sociedade, fingir que o indivíduo é verdadeiramente escolarizado? Não me parece justo que um aluno seja apenas um número, sirva apenas para engrossar as estatísticas... Nossos alunos são seres humanos, precisam de EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE!
Mas como oferecer essa qualidade quando o sistema não facilita e nem provê o acesso desses cidadãos às creches e EDIs, se o sistema de ensino promove ao ano seguinte o aluno que ainda não alcançou os objetivos previstos para aquele ano, se as turmas são cada vez mais lotadass e heterogeneas, dificultando MUITO o trabalho dos professores?
Separar a turma em grupinhos, de acordo com suas necessidades e conhecimentos, só é legal na teoria, vai você, na prática, viabilizar isso... Já começa que os alunos que nunca pisaram numa escola não sabem copiar do quadro, então vamos preparar matrizes de trabalhos para xerografar, mas quando chegamos a sala dos professores para imprimir a impressora está sem tinta ou com defeito, daí imprimimos em nossas casas ou numa lan-house amiga, então descobrimos que a nossa cota de xerox daquele mês acabou, que xerox agora só mês que vem, ou temos de fazer "vaquinha" pra comprar tonner... Ah, e os alunos que sabem copiar do quadro têm preguiça de fazê-lo, cada dia sentem uma "dor" diferente, choram, pedem a mãe...
E ainda querem que o professor tenha "vida útil" mais longa, não querem nos aposentar com 25 anos de carreira... Se continuarmos assim eu vou me aposentar antes de 25 anos de magistério, serei aposentada por invalidez, pela equipe de psiquiatria do município!
PS. Tem um primo meu, com 3 anos e meio, idade de EI, conseguimos matriculá-lo numa escola do município, num CIEP pertinho de sua casa, mas ele ainda está em casa, NÃO TEM PROFESSOR(A) para a turminha dele, abriram vagas, mas não proveram professores... Onde está Ministério Público que não vê isso?!
"Abandono intelectual - Negligência na educação de filho pelos pais ou de menor confiado à guarda de alguém, deixando de prover a ele a instrução primária, quando em idade escolar, ou permitindo que adquira hábitos perniciosos ou assista a espetáculos impróprios à sua idade. Segundo a lei penal, é crime."
Esse ano peguei duas turminhas de 1º ano, antiga C.A. (Classe de Alfabetização) e pasmem: recebi vários alunos que nunca tinha pisado antes em uma escola, crianças de 6 anos que não sabem nem ao menos segurar num lápis, que seguram os livros de cabeça pra baixo, que não identificam e nem nomeiam cores primárias, que não têm as noções de direita e esquerda, cima e baixo, frente e atrás...
A solução seria bem simples: trabalhar com esses alunos exatamente como se trabalharia com uma turma de Educação Infantil, trabalhando motricidade fina com massinha de modelar, bolinhas de papel crepom, segurando na mão de cada um para ensinar como pegar no lápis, ensinar as cores, as vogais, a escrita do primeiro nome com letra bastão, ensinar as noções de direita e esquerda etc. Mas, essa solução se mostrou inviável, porque as crianças que entraram para a escola na idade certa, que fizeram um ou dois anos de EI, não se interessam por esses ensinamentos, acabam fazendo muita bagunça e o clima em sala de aula fica TENSO! Se por um lado eu preciso dar atenção exclusiva e individual aos alunos que pela 1ª vez estão pisando numa sala de aula, eu também não posso deixar de realmente alfabetizar aqueles que já trouxeram na bagagem toda uma gama de conhecimentos e habilidades que os torna plenamente "alfabetizáveis"...
Em uma sala de aula com 30 alunos, onde metade cursou a EI e a outra metade pisa pela 1ª vez numa escola, não é de se admirar que a professora surte, pire, queira sair correndo...
Ah, e sabe aquela história de "não existe aprovação automática no município do Rio", tudo mentira, até outro dia se sabia que até o 3º ano do Fundamental a aprovação continuava sendo automática, mas como houve grande número de alunos retidos nessas turminhas de 3º ano, gerando prejuízos a receita do município, agora será até o 4º ano essa pouca vergonha! Não demora muito e voltaremos a ter todo Ensino Fundamental aprovando automaticamente alunos analfabetos... Solapando com os professores do Ensino Médio...
Aí eu pergunto a vocês: onde está o Art. 227." É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão"?
O Estado, de acordo com o art. 208 da CRFB/88, tem o dever de garantir o ensino fundamental (primeiro grau) obrigatório e gratuito. O dever do Estado é construir e prover vagas nas escolas, porém, com o grande número de alunos reprovados, as escolas ficam sem vagas para novos alunos, o que obrigaria o Estado a construir novas escolas, o que acaba saindo caro... Mas, não é mais caro ainda, em termos de sociedade, fingir que o indivíduo é verdadeiramente escolarizado? Não me parece justo que um aluno seja apenas um número, sirva apenas para engrossar as estatísticas... Nossos alunos são seres humanos, precisam de EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE!
Mas como oferecer essa qualidade quando o sistema não facilita e nem provê o acesso desses cidadãos às creches e EDIs, se o sistema de ensino promove ao ano seguinte o aluno que ainda não alcançou os objetivos previstos para aquele ano, se as turmas são cada vez mais lotadass e heterogeneas, dificultando MUITO o trabalho dos professores?
Separar a turma em grupinhos, de acordo com suas necessidades e conhecimentos, só é legal na teoria, vai você, na prática, viabilizar isso... Já começa que os alunos que nunca pisaram numa escola não sabem copiar do quadro, então vamos preparar matrizes de trabalhos para xerografar, mas quando chegamos a sala dos professores para imprimir a impressora está sem tinta ou com defeito, daí imprimimos em nossas casas ou numa lan-house amiga, então descobrimos que a nossa cota de xerox daquele mês acabou, que xerox agora só mês que vem, ou temos de fazer "vaquinha" pra comprar tonner... Ah, e os alunos que sabem copiar do quadro têm preguiça de fazê-lo, cada dia sentem uma "dor" diferente, choram, pedem a mãe...
E ainda querem que o professor tenha "vida útil" mais longa, não querem nos aposentar com 25 anos de carreira... Se continuarmos assim eu vou me aposentar antes de 25 anos de magistério, serei aposentada por invalidez, pela equipe de psiquiatria do município!
PS. Tem um primo meu, com 3 anos e meio, idade de EI, conseguimos matriculá-lo numa escola do município, num CIEP pertinho de sua casa, mas ele ainda está em casa, NÃO TEM PROFESSOR(A) para a turminha dele, abriram vagas, mas não proveram professores... Onde está Ministério Público que não vê isso?!
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Meu filho está no 1º ano, e agora?
A transição da Educação Infantil para o 1º ano do Ensino Fundamental (antigamente chamada de CA ou Classe de Alfabetização) é marcada por grandes mudanças, não apenas na vida da criança mas também na vida de seus pais.
Quero compartilhar com vocês 10 dicas que coletei no Site EDUCAR PARA CRESCER para que os pais que têm filhos nessa fase não fiquem tão perdidos:
1. Deixar bilhetes ou escrever cartas
Que outra função tão importante tem a escrita que não a de comunicar? Pois desde bem cedo a criança pode perceber isso, pelas atitudes dos pais. Deixe recadinhos na porta da geladeira, escreva cartas e estimule-a a fazer o mesmo (mesmo que saiam apenas rabiscos. Lembre-se: nessa fase do desenvolvimento, não se erra, se tenta acertar). 'Vou escrever uma carta para a vovó contando como estamos. O que você quer que eu conte para ela?'. Recebeu uma carta ou encontrou um recadinho em casa? Leia em voz alta. Procure incluir a criança sempre que uma situação de comunicação escrita se apresentar na casa.
2. Preparar receitas culinárias na presença da criança
Num ambiente alfabetizador, é importante que a família chame a criança, desde muito cedo, para participar de algumas ações, de forma que ela presencie o contato com a língua escrita, percebendo suas várias funções. Na culinária isso pode acontecer de maneira descontraída e divertida. Durante a receita de um bolo, por exemplo, vá perguntando para a criança: "Vamos ver o que falta colocar? Ah, ainda preciso colocar 3 ovos, está escrito aqui".
3 . Ler histórias
Ler para a criança pequena tem muitos benefícios e, num ambiente alfabetizador, é a primeira exigência a ser feita, pois é por meio de pais e professores que a criança passa a ter contato com a língua escrita. Quando a mãe lê uma história para a criança, ela é leitora junto com a mãe. Leia com frequência para seu filho: gibis, revistas, contos de fadas... Leia mais de uma vez o mesmo livro, pois isso é importante para a criança começar a recontar aquela história depois, no papel de leitora, inclusive passando as páginas do livro corretamente. Ao ouvir histórias, a criança acaba percebendo que a leitura é feita da esquerda para a direita (importante para o momento em que ela vai começar a riscar), consegue diferenciar o que é texto do que é desenho, começa a notar que as palavras são escritas separadamente formando frases que fazem sentido e a adquirir noção de volume de texto. É comum, por exemplo, a criança perceber quando a mãe está pulando trechos da história (geralmente porque ela já está cansada e quer dar uma resumida na historinha). A criança vira e fala tem mais coisa aí, mamãe. Isso mostra que ela está já está amadurecendo como leitora e, embora ainda não leia, já faz o que chamamos de pseudoleitura".
4. Ser um modelo de leitor Essa é a premissa mais básica de qualquer ambiente alfabetizador. A criança forma valores a partir de bons modelos e, assim, ter pais leitores é fundamental para ela aderir à leitura. A estante de livro não pode parecer santuário. As crianças têm de observar que os pais estão sempre mexendo ali, escolhendo um livro, lendo-o e comentando-o com a família. E não apenas os livros. A leitura de revistas e jornais também tem de ser um hábito dos pais. Os pais também têm de prestar atenção ao ambiente em que fazem sua leitura, passando a impressão de que ler é prazeroso, mas também é coisa séria. O ambiente deve ser tranquilo, sem muitos ruídos, com boa iluminação, e deve-se sentar com a postura corporal correta, para não se cansar rapidamente.
5. Explorar rótulos de embalagens Alguns produtos são recorrentes na dispensa de nossas casas e as crianças acabam se acostumando com a presença deles. Aproveite momentos de descontração, como durante as refeições, para ler os rótulos junto com seu filho. Com o tempo, ele começa a ler por imagem, por associação. Ele pode ainda não estar alfabetizado, mas já sabe o que está escrito naquela embalagem. Os rótulos são interessantes de serem lidos porque, na maioria dos casos, são escritos em letra CAIXA ALTA, que é a qual a criança assimila antes da letra cursiva.
6. Fazer listas de compras com seu filho
Esta aí uma tarefa pra lá de corriqueira: fazer a lista de compras do supermercado. Num ambiente alfabetizador, o momento pode ser aproveitado: chame a criança para preencher a lista com você e faça com que ela perceba que você anota no papel as coisas que irá comprar, para consultar lá no mercado (uma forma de ela relacionar a linguagem oral com a escrita). Vá conversando com ela: "Vamos anotar para não esquecer. O que mais vamos ter de comprar? Então, vamos escrever aqui". Deixe que ela acompanhe com os olhos o que você está escrevendo e vá falando em voz alta.
7. Aproveitar as situações da rua
Placas de trânsito, destino de ônibus, outdoors, letreiros, panfletos, faixas... onde quer que frequentemos estaremos sempre em contato com o mundo letrado e é ótimo que os diferentes elementos sejam aproveitados com a criança. Dá para levar em forma de brincadeira. 'Olha filho, tem uma placa igual a essa em frente à nossa casa. Sabe o que está escrito nela?' ou ainda 'Olha, filho, esse ônibus vai para Cajuru. Cajuru também começa com Ca, igual o nome da mamãe, Carolina'. É por meio dessas situações que a criança vai percebendo as diferentes funções da escrita e fazendo associações. É uma forma não de ensinar/aprender, mas de brincar com as letras, com as palavras, com a escrita e a leitura.
8. Fazer os convites de aniversário com a criança
Escrever nos convitinhos de aniversário é uma etapa da festa da qual a criança precisa participar. Pergunte a ela: "o que teremos de escrever nos convites? Precisamos dizer onde vai ser e a que horas". Isso pode ser feito desde o primeiro aniversário da criança, repetindo nos anos seguintes, até chegar a vez em que ela própria irá querer escrever sozinha, com sua letrinha. Outra atitude interessante é escrever cartões de aniversário ou de casamento na frente da criança. "Esses nossos amigos irão se casar. Vamos escrever uma mensagem a eles para enviar junto com o presente?". A situação pode ser corriqueira para você, mas para a criança tudo é novidade. Participe-a desses momentos. Nos aniversários das pessoas da família, incentive-a a escrever algum cartão, mesmo que ela faça apenas desenhos. Pergunte que mensagem ela quis passar e em seguida faça um elogio ao seu trabalho.
9. Montar uma agenda telefônica
A agenda telefônica é um bom objeto a ser explorado com as crianças. Ela mostra, claramente, o que é texto e o que é número, com a função de cada um deles. O texto é usado para escrever o nome das pessoas ou dos lugares, enquanto o número é utilizado para informar o telefone. No dia a dia, chame a criança para observar essa diferença. "Olha filho, deste lado ficam os nomes das pessoas e deste o número do telefone delas. Vamos ver qual o número da casa da titia?"
10. Apontar outros materiais escritos
Brinquedinhos com palavras e números, calendários, jogos de computador, álbum de fotografia com legendas, scrapbook, tudo isso pode estar no ambiente de convivência da criança, mas... desde que realmente sejam usados por ela, e não funcionem como meros enfeites do seu quarto. A criança tem de perceber a função de cada um dos elementos que é posto para ela. Houve um tempo em que pais e professores acreditavam que bastava etiquetar os objetos (etiqueta com a palavra cama na cama, com a palavra armário no armário) para as crianças se familiarizarem com a língua. Mas as pesquisas mais atuais mostraram que os diversos gêneros textuais precisam estar presentes e serem usados dentro de uma função comunicativa. Portanto, quando for montar um álbum com fotos de uma viagem, chame a criança para legendar cada foto com você. "Você lembra como se chamava este lugar? Vamos escrever aqui para sabermos daqui a um tempo".
Sabe o que mais pode ajudar na alfabetização de seu filho? Compreender que cada um tem o seu ritmo! - Incentive, estimule, mas não cobre excessivamente!
Assinar:
Postagens (Atom)






