![]() | A educação do prazer: desde a infância? | |||||
Por João Malheiro | ||||||
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Ao depararmos nos noticiários com jovens de classe média abastados que agem de forma cruel e infra-humana, matando, por exemplo, pessoas da sua própria família, ou com pais que jogam o próprio filho recém-nascido no pára-brisa de um carro por raiva, é cada vez mais comum nos perguntarmos: o que é que está acontecendo com a sociedade? Como é possível que um ser humano possa chegar a semelhantes níveis de violência e insensibilidade? O que leva essas pessoas a perder totalmente a racionalidade e a transformarem-se em verdadeiros “bichos do mato”? Há diversas possíveis respostas para estas indagações – sejam de índole médico-psiquiátrica, sociológica, filosófica, religiosa etc. – e, portanto, haveria que se pesquisar caso por caso para evitar generalizações perigosas e superficiais. Mas acredito que em todas elas se pode apurar que um grande parte da culpa recai na deficiência, desde a infância, da educação do prazer. Uma deficiência que foi crescendo, desde os anos 70, paulatinamente, década por década, mas que, atualmente – qualquer pai e educador percebe claramente –, vem chegando a níveis bastante preocupantes. Qualquer pai, educador ou psicólogo sabe por experiência que a dificílima tarefa de educar consiste justamente em ir fortalecendo, ano após ano, passo a passo, num grande exercício de paciência, a inteligência e a vontade do “pimpolho” de modo que consiga que toda a sua carga afetiva-sentimental, instintiva-passional e os seus sentidos-gostos sejam moderados e direcionados para as grandes metas da vida. Antes da inversão da “chave” (de “<” para “>;”), qualquer criança viverá sob o domínio do prazer sensível e identificará felicidade com prazer, o que é um dos maiores enganos deste início de século. Se perguntarmos a um adolescente o que o torna feliz ou o que ele identifica como felicidade, descobrirá que para uns será dormir bastante e a qualquer hora, comer o que lhe der na telha e nas melhores praças de alimentação, divertir-se com os mais diversos recursos audiovisuais que a indústria eletrônica oferece para todos os gostos, viajar bastante nos feriados, ir às festas mais badaladas da noite: enfim, as alegrias materiais, fugazes, rápidas, que não deixam muita coisa no “ser” e que, apesar de serem elementos importantes para a felicidade, não são nem de longe o mais importante. BUSCAR O PRAZER E EVITAR A DOR Em outros casos, detectaremos que o jovem adolescente identificará a felicidade com “fazer o que se gosta e fugir do que custa”: é a dinâmica própria da velha doença dos sentimentos desvairados que se chama sentimentalismo. Todo mundo quer e gosta de se sentir bem. O problema não é esse. O problema está em parar nisso: em colocar o fim da vida nisso, pois como será possível alcançar os ideais altos que todo ser humano normal anseia, ou conseguir almejar uma capacidade séria e forte de compromisso, somente sentindo-se bem na vida? Por fim, outros ainda alegarão que felicidade é ficarem na sua “bolha”: o quartinho, a caminha, a mesinha, com ar condicionado, frigobar, computador-TV-videogame-DVD, cachorrinho, livres dos perigos da vida... Quantas mães são as próprias criadoras destas “bolhas”, que não passam de “câmaras” de infra-filhos, os quais irão crescer sem anticorpos para vencer as dificuldades da vida! Podemos observar, portanto, que toda a criança, nos primeiros anos da sua vida, é “naturalmente” egoísta e tremendamente hedonista (prazer pelo prazer, sem porquês, sem medidas, sem limites). Como se já não bastasse toda esta força negativa da própria natureza humana da criança, vem-se somando, desde os anos 70, uma outra carga negativa que é a força do meio em que toda criança vive. É já lugar-comum afirmar a força que exercem hoje os meios de comunicação – TV, outdoors, internet, filmes, músicas – nas escolhas dos jovens e adolescentes. A PRIMAZIA DOS SENTIMENTOS Se fizéssemos uma exploração histórico-filosófica – aqui daremos somente umas breves pinceladas – desde a Idade Média até ao início do século XX, perceberíamos com muita facilidade que os domínios da inteligência e da vontade sempre se foram revezando na primazia: em algumas épocas, o grande “valor” social eram as conquistas e as guerras; em outras, as grandes descobertas; ora o heroísmo do além-mar, ora o mundo das idéias. Nem a inteligência nem a vontade nunca se deixaram perder ou rebaixar pelo mundo dos sentimentos e dos afetos. No início do século passado, influenciados tanto por alguns filósofos que, reagindo a tanto racionalismo e cientificismo humano, “lançaram no mercado” a supremacia dos sentimentos, como por um rápido desenvolvimento tecnológico, que oferece ao mundo conforto e prazer jamais imaginados pelos nossos antepassados, a sociedade se “vendeu” ao prazer. Durante todos estes anos, semelhante idolatria foi crescendo e ganhando espaço e hoje – com a revolução tecnológica que permitiu a globalização –, parece que estamos chegando perto do seu ápice. O fato é que esta força social é a grande motivação de muitos pais para trabalharem doze horas por dia e se matarem irracionalmente para ganhar muito dinheiro que permita, primeiro, “ter” para curtir a vida e mostrar aos outros que “têm”; e, depois, oferecer aos filhos aquilo que a sociedade diz ser felicidade. Esta é a grande responsável de que os pais poupem sofrimento aos filhos, custe o que custar, em vez de lhes ensinar – aos pouquinhos – como enfrentar o sofrimento e dar-lhes um sentido na hora da dor. É ela que vem induzindo o adolescente a fazer de tudo para se “sentir” feliz de forma errada e nociva. O que acontece quando a força negativa da natureza da criança se soma a essa força social? Qualquer pai ou mãe que analise em profundidade as conseqüências nocivas que essa resultante de forças cria, só pode e deve ficar bastante preocupado. Perceberá que muitas delas se identificarão com algumas das “chagas” sociais que tanto se comentam nas reportagens dos jornais e, quiçá, se encontram na sua própria família. CONSEQÜÊNCIAS DO PRAZER COMO FINALIDADE Uma criança que identifique felicidade com prazer facilmente se tornará consumista e materialista: só se “sentirá feliz” se puder ir ao shopping todos os fins de semana e comprar a vigésima calça para a festa da amiguinha; terá vergonha de ir ao colégio se o pai não tiver o carro do ano; fará de tudo, se precisar, para conseguir ter mais dinheiro. Uma criança que é educada na dinâmica do sentimentalismo – fazer só o que gosta e fugir de tudo o que custa – será, em primeiro lugar, uma pessoa fraca de vontade: não terá capacidade de alcançar os ideais altos que exigem muita garra e fortaleza e será um inconstante infeliz; não conseguindo conquistar esses ideais e sendo “discriminado” pela vida, com muita probabilidade tornar-se-á uma pessoa depressiva – já chamam a depressão de “doença do século XXI”! – e imatura, porque não consegue vaga na faculdade, no mercado de trabalho, não é feliz no namoro, não tem alegria na vida. Para quem se encontra num estado interior assim, passar para a violência requer apenas um pulinho. A violência da classe média é, na maioria das vezes, reflexo da sua própria fraqueza, construída normalmente com as facilidades e mimos dos familiares. Por outro lado, uma pessoa fraca, depressiva e violenta – queira ou não queira – tornar-se-á uma pessoa solitária, sem amigos e sem amores. Fica fácil entender agora por que muitos jovens hoje se escondem – se alienam, se refugiam – nas drogas e nas mais diversas modalidades do sexo? Por que parecem “bichos do mato”? Por mais alarmistas que possam parecer estas considerações, é uma pena ter de reconhecer que se trata de uma realidade muito próxima. Em todos os exemplos anteriores, como consultor educacional e com experiência de mais de 20 anos na área educacional, poderia citar nomes e sobrenomes de inúmeros casos iguais ou semelhantes. MOSTRAR ONDE ESTÁ A FELICIDADE É necessário e urgente investirmos pesado na educação dos nossos jovens. É preciso mostrar-lhes que a felicidade não está no prazer desvairado e irracional, mas no prazer certo, no lugar certo, na medida certa e com a finalidade certa. Que para isso é preciso aprender, desde cedo, a dizer “não” a muitos desejos e impulsos. Que quando são bem explicados, os porquês dos “não” não só não traumatizam – como já se disse muito por aí – mas libertam, e no fundo estão dizendo “sim” à verdadeira felicidade, à verdadeira realização, aos verdadeiros amores. Que não é muito inteligente buscar um prazer imediato, irrefletido e animal, que conduza depois a tanta tristeza e depressão, que duram, às vezes, por períodos longos ou até a vida toda. Está na hora de investir intensamente nas alegrias da inteligência, dos valores humanos, da descoberta do sentido da vida, da cultura, das convicções firmes. Como também chegou o momento de resgatar o papel fundamental que tem, no equilíbrio das paixões e na harmonia dos sentimentos, a conquista da vontade, do amor real e da verdadeira amizade. Somente assim será possível darmos às nossas crianças capacidade de enfrentar e superar toda a pressão interna e externa que sofrem todos os dias; e dar-lhes a possibilidade de vislumbrar horizontes mais humanos. | ||||||
João Malheiro Formado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo (1984) e mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003), com ênfase em Projeto Político Pedagógico. Atualmente é doutorando em Educação pela UFRJ, aprofundando no tema da falta de motivação no ensino-aprendizagem e como ela pode se relacionar com a vivência e o ensino da Ética. |
Há alguns anos atrás as crianças passaram a chamar as professoras de tia. Houve quem considerasse isso uma distorção da profissão, uma forma de reduzir professoras à condição de "tia". Hoje as crianças pedem "Tia, posso te chamar de mãe?". E isso ilustra bem a carência afetiva dessas nossas crianças...
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Que sociedade estamos construindo? Texto para reflexão...
segunda-feira, 20 de junho de 2011
PNDH-3 - O que é? No que isso vai mudar minha vida?
A Palavra de Deus diz "Meu povo se perde por falta de conhecimento (da Escritura)", hoje em dia o nosso povo vem se perdendo também por falta de conhecimentos, leis e decretos são baixados, votados e aprovados enquanto o povo está pulando carnaval, preocupado com Copa do Mundo e Olimpíadas... Ou seja, enquanto o povo não está nem percebendo o rumo que a sociedade está tomando!
Legalização do aborto, legalização da prostituição e do casamento gay, criminalização da homofobia, perda de liberdade da imprensa (ditadura!), proibição de exibir símbolos religiosos, maconha liberada, aprovada a invasão de terras e propriedades rurais e urbanas... Essas coisas lhes parecem razoáveis?
Pois são essas coisas terríveis que irão acontecer caso seja aprovada a PNDH-3...
Legalização do aborto, legalização da prostituição e do casamento gay, criminalização da homofobia, perda de liberdade da imprensa (ditadura!), proibição de exibir símbolos religiosos, maconha liberada, aprovada a invasão de terras e propriedades rurais e urbanas... Essas coisas lhes parecem razoáveis?
Pois são essas coisas terríveis que irão acontecer caso seja aprovada a PNDH-3...
domingo, 12 de junho de 2011
PUNIÇÃO AOS ESTUDANTES QUE DESRESPEITAM PROFESSORES E COLEGAS! Já estava mais do que na hora...
--- Conforme matéria publicada no Jornal Correiro do Povo, em 22/04/2011, página 4.
Punição
Polêmica à vista: deputada federal Cida Borghetti (PP-PR) apresentou PROJETO DE LEI 267/11
que estabelece punições para estudantes que desrespeitarem professores ou violarem
regras éticas e de comportamento de instuições de ensino. A proposta, que tramita
em caráter conclusivo, penaliza o estudante infrator com suspensão e, na hipotese
de reincidência grave, encaminhamento à autoridade judiciária competente.
A proposta muda o Estatuto da Criança e do Adolescente por incluir regras que devem
ser seguidas pelos estudantes.
Prezada Deputada Cida Borghetti
Parabenizamos-na pela iniciativa em apresentar o projeto que estabelee punições para estudantes que desrepeitarem professores ou violarem regras éticas de comportamento nas instituições de ensino.
Estava na hora de alguém com voz e poder pensar em proteger professores, profissionais do bem, e os bons alunos que precisam e merecem aulas interessantes, num ambiente saudável, com professores motivados e amáveis e não diante de cenas humilhantes e de desrespeito, daqueles que com seus maus comportamento transformam salas de aula em circos de horrores, contando com a impunidade (do mau entendimento do ECA).
Estes pequenos em tamanhos e grandes em maldade estão deixando professores
com a saúde física e emocional abalada e, por consequência, suas famílias.
E nós , professores, nem mais reivindicamos salários, mas sim condições dignas e ambiente de trabalho, tamanho é o nosso desgaste emocional.
E o pior é que a maldade contagia com mais força que todos os nossos esforços positivos, sendo uma luta sem igual.
Obrigada por preocupar-se conosco.
Conte com nosso apoio.
Solicito que repasse esta mensagem de apoio ao Projeto da Deputada, a todos os seus contatos para que estes façam o mesmo, numa corrente contra a impunidade escolar, para os seguintes endereços:
"Como Vencer a Pobreza e a desigualdade"
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Divulguem, aos poucos iremos acordar este "BRASIL".
domingo, 5 de junho de 2011
O Ponto Negro
Certo dia, um professor entrou na sala de aula e disse aos alunos para se prepararem para uma prova relâmpago. Todos se sentiram assustados com o teste que viria.
O professor entregou então, a folha com a prova virada para baixo, como era de costume... Quando puderam ver, para surpresa de todos, não havia uma só pergunta ou texto, apenas um ponto negro no meio da folha.
O professor analisando a expressão surpresa de todos, disse: - Agora vocês vão escrever um texto sobre o que estão vendo. Todos os alunos, confusos, começaram a difícil tarefa. Terminado o tempo, o professor recolheu as folhas, colocou-se na frente da turma e começou a ler as redações em voz alta.
Todas, sem exceção, definiram o ponto negro tentando dar explicações por sua presença no centro da folha. Após ler todas, a sala em silencio, ele disse: - Esse teste não será para nota, apenas serve de aprendizado para todos nós.
Ninguém falou sobre a folha em branco. Todos centralizaram suas atenções no ponto negro. Assim acontece em nossas vidas. Temos uma folha em branco inteira para observar, aproveitar, mas sempre nos centralizamos nos pontos negros.
A vida é um presente de DEUS dado a cada um de nós, com extremo carinho e cuidado. Temos motivos pra comemorar sempre. A natureza que se renova, os amigos que se fazem presentes, o emprego que nos dá sustento, os milagres que diariamente presenciamos.
No entanto, insistimos em olhar apenas para o ponto negro. O problema de saúde que nos preocupa, a falta de dinheiro, o relacionamento difícil com um familiar, a decepção com um familiar, a decepção com um amigo. Os pontos negros são mínimos em comparação com tudo aquilo que temos diariamente, mas são eles que povoam nossa mente.
Tire os olhos dos pontos negros da sua vida. Aproveite cada benção, cada momento que Deus lhe dá. Creia que o choro pode durar até o anoitecer, mas a alegria logo vem no amanhecer. Tenha essa certeza, tranquilize-se e seja feliz!!!
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